A Bela e a Fera | Crítica

Com a onda de relançamentos de clássicos da Disney em versão live action, foi A Bela e a Fera que deu a oportunidade novamente de assistir a história de uma das princesas mais conhecidas da Disney. A nova versão de A Bela e a Fera é ideal para quem cresceu vendo e revendo a animação de 1991, mas não chega muito longe disso.

Emma Watson cria a melhor Bela que poderia ter em uma versão live action de uma animação, mesmo interpretando muito bem o seu papel e dando mais força para a personagem, alguns erros visuais prejudicam algumas cenas, não é demérito da atriz, mas sim da direção. No papel perfeito de Gaston, Luke Evans soube reproduzir muito bem as tolices de homens, querendo se mostrar macho e melhor que os outros. Enquanto cercado de polêmicas por ser um personagem gay, LeFou, interpretado por Josh Gad foi uma das melhores coisas do filme, com um timing cômico excelente, o gênero sexual do personagem não faz nenhuma diferença no filme e muito pelo contrário, torna-o ainda mais divertido.

Com o sucesso de Mogli – O Menino Lobo o estúdio poderia ter acesso a melhor equipe de efeitos visuais, já que a versão live action da animação de 1967 garantiu um oscar de melhor efeitos visuais em 2017. Mas Bill Gordon não conseguiu trabalhar tão bem o visual como deveria, e deixou a desejar um pouco neste contexto. O elenco compensa muito os erros visuais das cenas, com uma escalação de elenco muito bem feita, conseguiram escolher atores para dar uma melhor consistência aos personagens e transformá-los em humanos de fato.

O maior problema do filme foram os efeitos visuais, que podem passar despercebidos por conta da emoção de rever um clássico da infância, mas são facilmente descobertos com um mínimo de atenção nas cenas. Algumas cenas são escuras e a mão pesada nos efeitos visuais prejudicaram bastante as animações dos objetos do castelos até mesmo toda a paisagem e a construção do castelo, ao ser ralizado em CGI. Quando se trata de efeitos tão bem feitos quanto de outros filmes, como Mogli por exemplo, esse tipo de erro torna-se bem feio para a produção do filme. Enquanto Lumière (Ewan McGregor) e Horloge (Ian McKellen) são tão bem feitos, a sacada de serem uma caricatura de humanos fizeram com que a animação fosse salva por seus dubladores, mas o mesmo não aconteceu com Mrs. Potts (Emma Thompson) com um visual mais desenhado, corre ao contrário dos outro dois personagens anteriores, a deixando menos carismática entre os objetos falantes do castelo.

A escolha de closes fechados, centrando mais no rosto da Fera, deixou uma sensação de não ser Dan Stevens no papel, talvez com um pouco mais de efeitos práticos ou uma direção melhor, as cenas com a Fera poderiam ter sido melhores. Durante as cenas de músicas, em algumas delas houveram muitos cortes, soando algo artificial demais, com cenas mais prolongadas, e fluindo mais naturalmente, os musicais durante o filme todo poderiam ter sido melhores, as músicas são marcantes, mas as cenas deixam bastante a desejar do que se espera de um musical do nível Disney. Tome como exemplo Moana: Um Mar de Aventuras onde o filme é uma animação, os musicais foram tão naturais, fluindo tão bem que a música fazia parte do contexto, aqui faz parte do contexto também, mas o filme perde o ritmo, e não soa nada natural com os diversos cortes.

A Bela e a Fera é um filme que agrada o fã que cresceu adorando a história da princesa da Disney, mas não alcança um público diversificado, nem mesmo com a qualidade do elenco escolhido para o filme. Apesar de tudo, o longa fará uma boa bilheteria, por ter o selo Disney e levar ao cinema diversas pessoas para relembrar um dos maiores clássicos do estúdio.

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