A Netflix estragou Black Mirror?

Por: Amigão da Vizinhança

Você entrou nesse artigo porque provavelmente achou o título um pouco polêmico, certo? Mas você não leu errado. Por mais que muitos defendem a Netflix, pelas suas produções e por ter revolucionado o seguimento de streaming, eu no entanto, acredito que o ‘tamanho’ em que a empresa chegou pode ter afetado a qualidade das suas produções.

Até certa época a empresa era somente um serviço que disponibilizava séries e filmes online, assim como uma finada locadora física, só fornecia para os clientes produtos criados por outras empresas. Mas surpreendentemente, em 2011, a Netflix anunciou que iria produzir uma série original chamada House of Cards, que lançou em 2013. A partir daí a popularidade da Netflix só aumentou. Mais séries foram anunciadas, contratos com outras empresas foram fechados etc.

Durante algum tempo ela produzia somente cerca de duas séries por ano, mas desde 2015 começaram a ser lançadas cerca de dez (contando com novas temporadas para as séries já existentes). E é isso que me preocupa.

Usando um exemplo simples e comparando com situações que eu já vivi, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo pode comprometer a qualidade de ambas, tendo em vista que sua mente não está mais focada em um elemento e sim em vários. Na segunda metade de 2016, eu me comprometi com diversos quadros para meu canal no youtube; o que antes era somente vídeos de notícia sobre o universo nerd em geral, passou a ser vídeos de gameplays, vlogs, notícias e recomendações. Óbvio que a qualidade foi afetada e eu só me dei conta quando se tornou impossível manter tudo isso, e é nesse ponto em que eu quero chegar.

Muitas das séries e filmes originais Netflix são de ótima qualidade, roteiro, história, atuação e muitos outros pontos importantes que tornam uma produção boa ou não. Mas como o meu exemplo que dei acima, a Netflix se comprometeu com muitas produções originais e por terceirizar outras, como é o caso dos heróis da Marvel que ganharam séries pela empresa, a partir daí posso dizer com certeza que ela (a Netflix) tem muito com o que se preocupar agora.

Falando agora de Black Mirror, a série antes britânica, que tem como intuito mostrar as consequências imprevistas da tecnologia num futuro especulativo, com temas sombrios e às vezes satíricos, ganhou muita popularidade após suas duas temporadas serem inseridas no catálogo da Netflix, e pouco tempo tempo depois a própria Netflix produziu a mais recente 3° temporada. E o que está sendo alvo de críticas, é justamente essa nova temporada, que muitos afirmam (inclusive eu) ter uma visão diferente do que as temporadas anteriores propuseram.

Para você que não sabe inglês e nem se interessou em pesquisar a tradução do título dessa série, eu vou explicar para você; a tradução exata de Black Mirror seria “Espelho Negro”, e onde você encontra um espelho negro? Na tela do seu celular, computador, notebook, tv e outras coisas (até mesmo mesmo no seu microondas). Você encontra esse espelho no seu dia a dia, em todos os lados você vai se deparar com um. Muito legal, não?

A visão do Charlie Brooker, criador da série, era exatamente mostrar para a sociedade alguns dos problemas que podem ou não ser consequência da tecnologia que nos rodeia. Posso dizer que ele passa essa ideia nas duas temporadas com excelência. Já a temporada produzida pela Netflix, tem uma cara de série americana, – Não que isso seja algo ruim, eu até acho que se essa temporada foi boa, mas vendo ela como uma só, a parte, sem levar em conta as anteriores – num tom bem diferente.

Você que já assistiu Black mirror, sabe muito bem a sensação que cada episódio passa. Essa é uma daquelas séries que te coloca pra baixo, te deixa triste, pensativo e chocado talvez. E foi isso que faltou nesses episódios feitos pela Netflix. Faltou impacto pela crítica que o episódio devia causar, é óbvio que cada episódio vai “mexer” de uma forma diferente com cada pessoa, até mesmo os episódios feito pelo criador da série, mas foi com muita discussão entre amigos que eu percebi que a Netflix tirou o peso da crítica, faltou um elemento impactante. Nenhum episódio da terceira temporada chegou perto da sensação passada nos episódios anteriores, nem mesmo a temporada inteira chegou perto da sensação de um único episódio das temporadas anteriores.

Não estou aqui tentando ser O carrasco, ou aquele que joga pedras na cruz, só quero passar a minha opinião com relação a essa série que me conquistou. Até acho essa 3° temporada não foi de todo ruim, o primeiro episódio tem muito a cara de Black mirror, exceto pelo final positivo demais, o que era a marca da série nenhum episódio terminar de um jeito “feliz”. Mas para mostrar que ela tem seu lado bom, o episódio “Shut up and dance” tem total cara da série, um episódio sensacional, história simples e elegante, atuação do ator principal foi de tirar o fôlego e a conclusão do episódio fez eu me lembrar o que era Black mirror.

Espero que nas temporadas futuras a série volte ao seu ápice, que seja tão bom quanto as duas temporadas que me conquistaram. Até seria interessante na próxima temporada a série criticar o mundo vivendo essa revolução do streaming, você não acha? Será que a Netflix teria coragem?

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