Get Out | Crítica

Estreante em longa metragem e principalmente no gênero horror, Jordan Peele consegue provar e mostrar muito bem a capacidade de um humorista se arriscar nesse tipo de gênero e conseguir realizar um trabalho único e original a sua forma. Cercado de polêmicas, Get Out desde seus primeiros trailers já foi capaz de deixar o público perturbado e incomodado, mas logo somos apresentado a um filme que debate racismo e desigualdade em um gênero de suspense/horror.

A trama gira em torno de Cris (Daniel Kaluuya) um fotógrafo de sucesso que passará um final de semana na casa dos pais de sua namorada Rose (Allison Williams) onde acontecerá coisas bem estranhas. Se já não bastasse ser estranho o suficiente conhecer os pais de sua namorada, Cris passa por eventos um tanto quanto estranho em uma execução original de eventos que caminha entre o suspense e o horror, com referências quase de uma forma explícita de críticas políticas e sociais.

Peele consegue abordar perfeitamente críticas sociais com uma trama de suspense. Sem perder o ritmo da trama, o diretor (e roteirista) consegue retratar uma realidade entre nós, pessoas que não se consideram racistas apenas porque admiram um atleta negro ou apenas porque votaram em um presidente negro. Além de mostrar como uma pessoa negra se sente ao redor de pessoas que se dizem normais e comuns.

Além da ótima direção, os atores se destacam com suas atuações. O destaque principal fica para Daniel Kaluuya, não apenas por ser o protagonista do longa, mas por interpretar um jovem confuso e atormentado com tudo que está acontecendo ali. Peele consegue escrever um roteiro inteligente, intrigante e original para o gênero, o texto é amarrado de forma com que o espectador fique incomodado da igual ao protagonista. Saindo do suspense no começo do filme e caminhando lentamente, apresentando toda a trama, sem perder o ritmo, o filme chega ao horror, sem que o mistério seja descoberto antes da hora. Este é outro ponto positivo do roteiro, nada é mostrado antes da hora, até o momento em que o mistério é revelado, não é possível descobrir onde a trama vai chegar, após chegar ao grande ponto, tudo que vimos anteriormente, é tudo conectado, amarrando toda a trama. O que poderia ter se  perdido e caminhado para um final desastroso, a revelação do mistério eleva ainda mais a capacidade do diretor, que tem suas raízes no humor, em trabalhar com esse tipo de filme.

O filme entrega um terceiro ato genial, além de não entregar nada do mistério antes da revelação, a revelação é feita no momento certo deixando espaço para tudo se concluir com coisas bem interessante para acontecer. Geralmente filmes que começam a ficar estranho, tendem a cair de qualidade durante a transação do segundo ao terceiro ato, Get Out não, só melhora, contínua estranho e entrega tudo da melhor forma possível.

Jordan Peele, conhecido na comédia, consegue estreia muito bem, escrevendo e dirigindo uma trama de suspense e horror utilizando diversas referências de outros filmes dos gêneros e finalizando com um trabalho digno de gênio. Méritos do diretor que entra para a lista de diretores a se ficar de olho para as próximas produções.


Por Gabriel Stuchi

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