Jogos de luta em 2017 – Street Fighter

Falta menos de um mês para começar a EVO, o maior campeonato de jogos de luta do mundo. Ela acontecerá em Las Vegas nos dias 14, 15, e 16 de julho e você poderá acompanhar todos os jogos ao vivo pelo Twitch.

Além disso, o Fusi disponibilizará notícias e comentários sobre os resultados mais importante do evento. Pra já ir entrando no clima a redação do site preparou vários artigos para falar um pouco mais da história desse gênero e de cada um dos títulos que estarão sendo jogados no evento.

Poder brigar, lutar, socar a cara do seu oponente e não sofrer um arranhão era muito divertido, os jogos lançados na década de 80 já tinham mostrado isso. Mas competir com uma máquina nunca seria tão divertido quanto jogar contra o seu amigo. Foi percebendo isso que em 1991 a Capcom aos arcades o jogo de luta para todos governar.

Street Fighter II pode ser considerado o Cidadão Kane dos jogos de luta, já que basicamente todos os games do gênero feito depois dele o tiveram como exemplo. Pela primeira vez alguém explorava o maior potencial desse gênero: o Multiplayer! Mesmo que ainda usasse a placa CPS1 o game não se prendia mais em derrotar vários inimigos com apenas um personagem jogável.

Agora era possível escolher entre oito personagens distintos para seguir uma campanha single player com 4 bosses não jogáveis no final ou, o que consagrou a série, jogar contra um amigo.

Além dos movimentos trazidos pelo seu antecessor, Street Fighter II agora tinha movimentos especiais que consistem em segurar o direcional de movimento para uma direção por dois segundos e depois mover para a direção oposta, tal como o Sonic Boom, do Guile. Personagens distintos com golpes distintos permitiu uma variedade de combos e hits impressionante para época.

Tendo ports de qualidade para vários consoles desde seu primeiro lançamento, Street Fighter II foi um sucesso de crítica e público tão grande que a Capcom continuou lançando novas versões com novos personagens e melhorias gráficas. Até Street Fighter II Turbo, lançado em 1994, o game já usava a nova placa de arcade CPS2, tinha um total de 17 personagens e os chamados super-combos, inventados pelo Fatal Fury da concorrente SNK.

Street Fighter II teve seu descanso em 1995, quando a Capcom lançou a pre-quel Street Fighter Zero (Alpha nos Estados Unidos). Muitos creditam a este game o título de “continuação” da franquia nos video-games, já que Street Fighter III só deus as caras nos consoles em 2000.

A série zero foi responsável por aprofundar a história dos personagens, contando dos eventos passados entre ST1 e ST2 e finalmente trouxe diferenças, ainda que singelas, para a jogabilidade de Ken e Ryu. Com gráficos espetaculares que tiravam o máximo da placa CPS2, novos personagens e jogabilidade refinada, Street Fighter Zero evoluiu a franquia em todos os sentidos.

No gameplay, tudo que havia sido introduzido nas novas franquias de luta da Capcom fora assimilado, o que já era bom foi melhorado e novidades foram trazidas: três níveis de força para os super-combos, a possibilidade de escolher um sistema de auto-guard, contra-ataques que consomem a barra de super combo, bloqueio aéreo e recuperação de queda.

Com do 10 personagens iniciais e mais 3 secretos, o jogo aprofundou o background e contava com um boss exclusivo para cada personagem. Teve duas continuações, sendo que a maior diferença está em sua terceira versão.

Street Fighter Zero 2 trouxe mudanças superficiais, atualizações de jogabilidade sutís e a adição de 5 personagens, sendo 2 da franquia de beat n’ up da Capcom Final Fight. A maior adição a jogabilidade foi o Custom Combo, que ao ser ativado deixava o seu personagem mais rápido, mais forte e causando mais hits, tornando possível usar seus próprios movimentos para causar um grande dano.

A continuação da série chegou em 1998 com 25 personagens, até então o maior número de personagens da franquia, chegando a ser expandido para 36 em suas atualizações. Street Fighter Zero 3 excluiu a escolha entre guarda manual e automática e trouxe 3 modos de luta inspirados nos jogos anteriores.

A-ism é o modo onde a barra de super combo é dividida em 3, similar aos outros jogos da franquia zero; X-ism é o modo onde a barra de super combo é única, tornando o muito poderoso, mas você não pode usar guarda-aérea ou contra ataque, similar a Street Fighter II Turbo e V-ism é o modo onde você tem apenas a barra de custom combo.

Street Fighter III chegou aos arcades em 1997 utilizando a nova (e última) placa de arcades da capcom CPS3, que traziam gráficos mais robustos e com um aspecto menos clean que a série Zero.

Teve em sua primeira versão 12 personagens, sendo que apenas Ryu e Ken não eram novos, o que causou um grande estranhamento no público já apegado aos personagens que vinham sendo trabalhos desde então; em suas versões posteriores teve adição de mais personagens novos e outros já conhecidos.

Mesmo com uma jogabilidade primorosa trazendo novidades como o parry (defender no instante em que recebe o contato físico para não ter dano) que é responsável pela famosa jogada de Daigo na EVO 2004 e sendo considerado um dos melhores e mais técnicos jogos de luta 2D da história, nunca alcançou o sucesso e prestígio que merece.

Sem ter o impulso dos consoles, concorrendo contra jogos 2D como The King of Fighter e a própria série Zero, sofrendo com a nova febre em 3D de Tekken e similares, Street Fighter III nunca conquistou seu lugar nos arcades.

Ainda na segunda metade da década de 90 e concorrendo com Street Fighter 3 e Street Fighter Alpha, a Capcom em conjunto com a desenvolvedora Akira lança a série EX, que enfim cedia a popularização dos jogos 3D. Fazendo jus a empresa a quem pertence teve várias atualizações e sequências, mas, apesar de estar no coração de alguns, o jogo sempre teve uma qualidade muito inferior as outras séries da franquia.

No final dos anos 2000 a franquia Street Fighter estava relegada ao nicho de quem realmente gostava de jogos de luta 2D, sem nenhum título desde a terceira versão de Street Fighter III em 1999. Diferentes de várias franquias que nasceram no 2D e continuavam fazendo versões medíocres em 3D, a Capcom tinha aprendido sua lição com a série EX e preparava o que seria um novo respiro para os jogos de luta em duas dimensões.

Street Fighter IV chegou aos arcades e inaugurou os consoles da época em questão de jogos de luta em 2008, com gráficos em 3D e jogabilidade 2D (o famoso 2,5D), a franquia agora tinha gráficos atualizados impressionantes sem perder a essência da jogabilidade desenvolvida desde 1987.

Teve 25 personagens em sua primeira edição e 44 na última; além dos personagens apresentados no quarto título da série, os trazidos de Street Fighter III remodelados para o design do jogo, também foram encarados como novos por muitos fãs que não tiveram acesso a eles antes, deixando o jogo com cara de muitas novidades.

A jogabilidade se distanciou do título anterior da série, implementando diversos novos movimentos que deram outro ritmo ao jogo sem perder a essência original. Uma barra dividida em 4 partes para um golpe EX (mais forte e que consome uma das barras) que cheia possibilita um super combo.

Outra barra que se enche ao perder vida e é usada para o Ultra Combo, que causa muito dano e é acompanhado por uma cut scene muito bem elaborada. Novas mecânicas de guarda e de quebra de guarda foram implementadas e influenciaram muito na nova cadência do jogo. Todas as mecânicas e personagens foram refinados nas atualizações que Street Fighter IV recebeu, sendo a última Ultra Street Fighter IV lançada em 2015.

Gráficos ainda melhores, uma jogabilidade simplificada, foco no combate online e personagens totalmente distintos foram as principais inovações trazidas por Street Fighter V. Lançado em 2016 e com suporte garantido até 2020, esse é o segundo título da série a não ter continuações, todas suas atualizações serão online no mesmo título.

Pela primeira vez na franquia os personagens estão realmente distintos. Esqueça aquela ideia de que todos os lutadores de kimono são Ryus com pequenas variações, agora até Ken e Ryu são diferentes, desde os golpes especiais até as posição de batalha.

Os novos personagens chegarão todos os anos e poderão ser adquiridos pelo passe da temporada com dinheiro real ou Fight Money, o dinheiro do jogo que é adquirido no modo história, survival ou online. Por mais que a ideia de jogar para liberar novos personagens pareça interessante e remete aos velhos tempos, na prática é impossível comprar tudo com o dinheiro do jogo sem dedicar algumas centenas de horas!

Ao finalizar todos os modos história, survival e subir alguns níveis com todos os personagens você deve juntar algo em torno de 500 mil, quantidade exata para comprar 5 dos 9 personagens extras que foram lançados até agora. Depois disso, ou gaste teu suado salário real ou jogue milhares de batalhas online.

Com o intuito de diminuir a taxa de erro dos profissionais, coisas como o super como foram simplificadas, que agora é feito apenas com duas “meia-lua”+soco ou chute. Para os iniciantes, sequências de até 3 hits pré-prontas, semelhante as de Mortal Kombat 9, e uma “transformação” ativada com os dois botões fortes fazem com que tirar uma grande quantidade de vida não seja tão difícil.

Street Fighter V manteve a barra Ex, com golpes Ex e super combos, mas deixou de lado as mecânicas de quebrar guarda de seu antecessor e mudou a barra ultra para Barra-V. Essa nova barra introduziu três novas mecânicas que as consome e são pontos chaves para uma virada de jogo.

V-skills dá um ataque especial e não consome nada, V-Reversal é um contra ataque que gasta uma barra e V-Trigger, a transformação, consome a barra toda e dá poderes especiais para cada personagem, como aumento de velocidade, força ou golpes novos.

Numa era de e-sports com a popularidade em alta, a Capcom investe em marketing, campeonatos e na competitividade online do jogo para torná-lo o primeiro grande nome de luta no cenário de e-sport internacional. Apesar de ter ganho o prêmio de melhor jogo de luta de 2016 ainda não tem a base de jogadores almejada pela empresa.

#jogo #luta #StreetFighter #Evo #game #2017