Os Defensores | Crítica

Desde o anuncio de sua parceria com a Netflix em 2013, a Marvel buscava expandir o seu universo de heróis. Desde então, o serviço de Streaming mostrou exito com suas produções ao lado da casa das ideias – com séries como Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro (e uma futura série do Justiceiro a caminho) – e agora, na ultima sexta-feira (18), foi lançada uma nova série que reuniu os 4 personagens de suas respectivas séries solos: Os Defensores.

O Estilo de cada personagem:

Quando as quatro séries foram anunciadas e lançadas, a Netflix se colocou a frente de uma grande dúvida vista pelo grande público a respeito de cada um dos shows: “Como  encaixar 4 personagens que, apesar de viverem no mesmo universo, tem estilos completamente distintos uns dos outros num só universo?” 

Muitos provavelmente tiveram esse tipo de questionamento, já que cada série apresentou um tema diferente utilizando super-heróis – como o racismo, violência urbana, relacionamentos abusivos e amadurecimento – assim como diferentes tipos de narrativa, trilha e peso para suas histórias, e quando a série foi lançada, percebemos que planejaram muito bem essa mistura, apresentado os mesmos elementos vistos nas quatro séries de forma individual no começo do show. As ambientações e as cores serviram de grande recurso para isso, dando um destaque em cada personagem (Vermelho para Demolidor, Amarelo para Luke Cage, Roxo e Azul para Jessica Jones e o Verde para  Punho de Ferro) e quando o time está reunido, tudo isso muda completamente, criando um ambiente único para os quatro trabalharem como uma equipe que está se formando por um acaso contra um inimigo comum.

A trama:

Diferente das outras quatro séries, com 13 episódios em cada uma das temporadas, Defensores contou com apenas 8 episódios. Essa redução torna série mais rápida e a história menos cansativa. Conseguem tambem: amarrar as pontas soltas deixadas por cada série, serve como complemento de cada temporada, indo direto ao ponto – focando na construção e conclusão da trama – e deixando grandes ganchos para as próximas temporadas de cada show.

O roteiro dos episódios são cheios de clichês e plots que são bastante óbvios para o público, fazendo com que muitas vezes o espectador tenha noção do que vem a seguir muito antes de um personagem fazer tal ação; mas a trama se permite dar algumas reviravoltas surpreendentes e cada conclusão de episódio deixa o espectador com vontade de assistir os próximos episódios sem parar.

A equipe:

Um dos pontos altos de todo o show foi a interação entre os personagens, que demonstraram ter muita química entre si, sem precisar de um alívio comico ou alguma espécie de descontração para forçar a relação, eles se constroem com maturidade e sutileza durante os 8 episódios.

É notável que o roteiro do show tenha dado um protagonismo maior para Danny Rand/Punho de Ferro (Finn Jones) e Matthew Murdock/Demolidor (Charlie Cox) em certos pontos, já que ambos os personagens – já tem seu histórico de lutarem contra o Tentáculo em suas respectivas séries – mas sem deixarem Luke (Mike Colter) e Jessica (Krysten Ritter) de lado na trama.

Um outro ponto positivo além da interação da equipe em geral foram as interações em dupla, como a relação entre Luke Cage e Danny Rand, algo vindo de anos nos quadrinhos e que após um pequeno vislumbre do bromance entre os dois,  criou-se um hype para uma possibilidade de uma série dos Heróis de Aluguel, clássico titulo da dupla nos quadrinhos.

A parceria entre Jessica Jones e Matthew Murdock também é um grande acerto para o relacionamento de duplas, aonde é possível ver um equilíbrio de peso e humor para ambos os personagens junto as excelentes atuações de Ritter e Cox no show.

Finn Jones consegue agradar muitos daqueles que não gostaram de sua atuação em Punho de Ferro até graças a boa direção e o roteiro da série, que tem uma mudança repentina de personalidade – saindo de um personagem dramático para um personagem bem mais humorado e se destacando no grupo perto do final da temporada,  e muito disso se deve a importância dada ao personagem, sendo ele a chave do plano do Tentáculo.

Todos os personagens secundários também foram muito bem utilizados e tem sua determinada importância em certas partes da trama.

Os vilões:

Os vilões da temporada são muito bem feitos, isso se deve a longa jornada de construção deles desde as duas primeiras temporadas de Demolidor e a primeira temporada de Punho de Ferro, mostrando a ascensão do Tentáculo sobre Nova York.

E entre esses vilões, mesmo com a maioria já sendo visto nas temporadas solos dos outros heróis, o destaque vem para a personagem de Sigourney Weaver (Alien: O oitavo passageiro), que apresenta uma personagem que começa no primeiro episódio como um grande mistério – tão grande que só sabemos o nome da personagem na trama a partir do episódio 3 -, mas que ao longo dos episódios seguintes, começamos a descobrir o grande passado da personagem e suas motivações.

Outro destaque fica para a transformação de Elektra Natchios (Élodie Young) em algo mais violento e sanguinário que veio após o seu fatídico destino ao final da segunda temporada de Demolidor.

Assim como Finn Jones, Élodie Young não foi uma atriz muito bem aceita em sua primeira aparição, mas agora ela consegue ser melhor do que no começo de tudo, o que se deve também graças a um bom roteiro e direção, mas a atuação da atriz tem um limite para tudo isso, o que faz com que ela se force muito com suas expressões em certos momentos, tornando-se algo genérico.

A iniciativa de reunir os personagens deu muto certo, e o final da temporada dá indícios para uma Fase 2 do universo da Marvel/Netflix, o que pode dar um futuro ainda melhor para esses personagens.

Por Yago Cândido

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