Power Rangers | Crítica

É difícil pensar em Power Rangers e não sentir aquela nostalgia crescendo no peito em tantas formas. Quem cresceu com a primeira equipe dos heróis coloridos sabe que a mera menção da palavra Power Rangers ,a música de abertura já começa a tocar em nossas cabeças. E não é apenas isso; recordamos do barulho que os morfadores fazem ao Zordon (Bryan Cranston) entrar em contato, do “ai ai ai ai ai” do carismático Alpha, e do épico: “Tá na hora de morfar”.

A boa notícia é: você encontrará isso (ou pelo menos o espírito disso) no novo filme dos Power Rangers. A premissa de Power Rangers segue a simplicidade absurda da série de TV: Rita Repulsa, antiga vilã do universo, desperta depois de um sono de milhões de anos, e, para combate-la, cinco adolescentes são destinados a encontrar as moedas do poder e se tornarem guerreiros épicos. Sim! A própria abertura da série de TV dos Power Rangers seria capaz de explicar a sinopse do filme. Nessa versão, entretanto, temos algumas mudanças interessantes e muito bem vindas na série: Vemos que Rita e Zordon foram Rangers juntos, em um dos melhores momentos do novo filme, e talvez uma das aberturas mais empolgantes dos blockbusters dos últimos anos; Zordon agora não é um figura de divina benevolência, mas um ser de grande honra, mas também grande rispidez e exigência com seus aprendizes; O atrapalhado Alpha agora não tem nada de atrapalhado. Ouso dizer que ele seria capaz de derrotar todo o exército de Rita sozinho. Nem todas as mudanças, entretanto, foram positivas.

Como a maioria dos reboots cinematográficos de franquias que permearam nossa infância, Power Rangers resolve abandonar de certa forma a simplicidade infantil que marcava a série, criando um contexto para marcar a personalidade dos cinco jovens e, dessa forma, tentar torna-los mais relevantes para o público. Não esqueçamos que esse filme é, em resumo, uma história de origem, que tenta apresentar novos atores que tomaram papéis de pessoas amadas pelo público. Apesar da interessante tentativa de tornar os adolescentes em algo mais do que estereótipos ultrapassados, as cenas de construção só servem para acentuá-los ainda mais.

Ao final do filme, temos a sensação de que mesmo mostrando a vida por trás dos jovens heróis, eles são mais superficiais do que os personagens da TV. E é nisso que consiste o maior erro de Power Rangers: o medo inicial e a demora de abraçar o que todos nós amamos: A hora de morfar! Depois de uma hora e meia aguentando as cenas clichês e péssimas atuações, somos finalmente apresentados aos novos Power Rangers; um espetáculo visual que já na primeira cena faz qualquer coração bater forte. A ação dos rangers é potente e frenética, como deve ser, entretanto, dura pouco, na medida que em menos de cinco minutos eles já estão aterrorizando nos Zords ao som do tema que todos nós amamos. Os Zords, entretanto, deixam a desejar e o famoso Megazord peca por não nos mostrar a coisa mais empolgante do Megazord: A união dos robores na sua formação.

Apesar de muitos erros, Power Rangers consegue trazer a franquia pré-histórico de volta a ativa, não de maneira gloriosa, mas ao menos de maneira divertida para a nova geração. Só nos resta cruzar os dedos e esperar que os produtores percebam que o ponto alto do filme foi quando este abraçou e expandiu os elementos mais divertidos da franquia, sem tentar se diferenciar e ser algo mais do que efetivamente é: um filme sobre adolescentes com super-poderes combatendo vilões de nomes engraçados. Mas vamos ficar tranquilos, passamos pelo momento mais chato e difícil: a história de origem.

Por Haeckel

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