Star Trek: Sem Fronteiras | Crítica

Finalmente essa nova encarnação da franquia conseguiu cumprir a promessa de seguir a essência da série original, se adaptar ao ritmo audiovisual dos dias de hoje e ainda ser uma história bem contada, tudo ao mesmo tempo. O primeiro tinha o ritmo acelerado típico dos dias atuais, mas não era nem uma história bem contada e nem era Star Trek na essência.

O segundo continuava acelerado, era uma história melhor contada, mas tinha vestígios muito sutis da essência da obra original. Esse terceiro acertou nos 3 quesitos. Entre os aspectos essenciais de Jornada nas Estrelas que foi respeitado aqui, está a procura em discutir questões mais profundas da existência humana. Mesmo que esse filme não tenha ido tão a fundo quanto outros episódios dessa saga, é inegável que esse aspecto esteja lá. Outro aspecto da essência que foi resgatado aqui foram os próprios personagens, que finalmente parecem ser os mesmos, só interpretados por atores diferentes, com as mesmas atitudes, ações e papéis desempenhados na trama que tinham desde a década de 60 e não um monte de cosplays que no máximo imitava os trejeitos do elenco original.

O estilo de senso de humor também foi muito fiel ao original, menos pastelão e mais centrado na própria natureza das interações entre os personagens, de tão diferentes entre si que são. Dentre os aspectos bem adaptados para os dias atuais, alem do ritmo em si, está o aproveitamento das possibilidades que a tecnologia nos proporciona hoje, como alienígenas com diferenças bem maiores e mais interessantes do que tinham os do passado e a concepção de ambientes com formas e condições mais variadas e peculiares.

Mas nem tudo é ponto positivo. Apesar da franquia ter achado o seu rumo, ela ainda parece estar preocupada demais em provar todo mundo que esse é um Star Trek novo, como se estivesse gritando “OOOOOLHA COMO EU SOU FRENÉTICO, VELOZ E FURIOSOOOO DO JEITO QUE VOCÊS GOOOOSTAAAAMMM! ” com a edição quase que constantemente acelerada, variando pouco o ritmo. O diretor deu muita preferência para um tratamento de câmera que mostrasse a urgência do acontecimento esquecendo um pouco da clareza, lembrando um dos Transformers, com a câmera sempre muito solta, chacoalhando, com dificuldade de acompanhar e registrar a atividade na frente dela, dificultando muitas vezes o entendimento do que está acontecendo. Ainda não dá para abrir a janela e gritar que esse é o melhor filme de Star Trek de todos os tempos, mas é um ótimo filme e definitivamente está no caminho certo, podendo até um dia audaciosamente ir aonde nenhum derivado da série original jamais esteve.

Por Fabiano Gama

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