The Get Down – Parte 2 | Crítica

A segunda parte da primeira temporada de The Get Down voltou para continuar o bom trabalho que fizeram na primeira parte. Dessa vez sem nenhum episódio dirigido pelo criador da série: Baz Luhrmann, que conseguiu deixar sua marca mesmo sem dirigir nenhum dos novos episódios. Portanto é possível identificar seu legado nesta segunda parte.

A continuação da série começa um ano depois dos acontecimentos do episódio “Raise your words, not your voice” que encerra a primeira parte. Vemos que o The Get Down Brothers continuam fazendo sucesso com suas músicas, mas cada um seguindo sua vida de seu jeito, Ezekiel Figuero (Justice Smith) tem chances reais de conseguir uma bolsa na universidade após chamar atenção do chefe da empresa que faz estágio, o que pode mudar sua vida, mas o deixa confuso por ter vontade de se tornar um artista respeitado por suas músicas e rimas. Enquanto Shaolin Fantastic (Shameik Moore) ganha cada vez mais reputação como DJ e ao mesmo tempo cresce na atividade de traficante a serviço de Cadillac e sua mãe, Fat Annie. E acaba dando uma vaga para Boo-Boo no mundo do tráfico, sem que os outros membros do The Get Down Brothers saibam. Pressionada por seu pai e um executivo de uma gravadora, Mylene tem uma carreira promissora, mas se vê presa em volta dessas pessoas, e precisando decidir se segue o caminho de seu pai, continuar cantando na igreja, ou o decepcionando e escolhendo  uma carreira “imprópria” aos olhos dele mas conseguindo o devido sucesso.

“Eu não sou só o Bronx, sou Manhattan também”, com apenas está frase, dita por Ezekiel, fica claro a trama e as questões nos novos cincos episódios da série. Decidir quem somos, o que queremos é a questão que a série deixa. Muito além de uma simples série musical, The Get Down trata de assuntos importantes e lhe faz identificar-se com as coisas que os garotos passam, as decisões que precisam tomar, e isso que é a melhor parte da série. O musical fica de lado para tratar de assuntos importantes, mas ainda assim, o hip-hop é a melhor coisa na série.

Poucas coisas foram mudadas entre a primeira e a segunda parte, mas a segunda parece mais madura, com histórias dos bastidores de um show, do negócio que vai além de subir no palco e mandar algumas rimas em cima de uma batida ou mostrar até onde uma pessoa pode chegar para conseguir dinheiro fácil através do talento de outro, e parece fazer isso com muito conhecimento. Além  disso outros assuntos como: racismo, apropriação cultural e violência ainda são muito abordados na série.

A série conta com bons personagens, boas tramas, apesar de alguns erros no roteiro, a trama flui bem, mas a parte mais dramática acaba ficando um pouco desinteressante em algumas partes pelo excesso de repetições. O modo de filmagem, a fotografia e sem dúvida a trilha sonora é a melhor coisa da série, é o que torna The Get Down tão especial e diferente. Dificilmente outra série, seja produção Netflix ou não ter uma trilha sonora tão boa quanto essa. Um ponto fraco nesta segunda parte foi uma inserção de algumas animações, mesmo contanto parte da trama, ficou muito fora de contexto, deixando o sentido de lado para dar lugar a uma coisa feita com pressa, deixando a entender como um tapa buraco de cenas que não foram filmadas.

De modo geral, The Get Down é uma série que deixa uma mensagem positiva e importante para seu público, uma série que tem um começo bom e um final melhor ainda. Além disso é divertida e não precisa ser fã de hip-hop para acompanhar os The Get Down Brothers.

Por Gabriel Stuchi

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