The Walking Dead – 7ª Temporada | Crítica

Manter uma série por 7 temporadas com uma audiência boa, uma trama boa, bons personagens, roteiros bons, um nível importante de relevância na cultura pop hoje pode ser muito difícil, por diversos motivos, mas manter uma temporada por 7 temporadas sem aprender com seus erros, é falta de vontade e atirar no próprio pé diversas vezes, ainda mais se sua série já tem um engajamento quase que automático, tema legal, personagens interessantes estar no topo de seu gênero é algo que poucas séries conseguem, não é atoa que as que chegam no topo do seu gênero, são sempre as que fazem mais sucesso. Para chegar no topo, precisa ser diferenciado. Acertam desde o começo, ou apenas aprendem com seus erros e fazem episódios cada vez melhores. Mas em The Walking Dead tudo isso já é realidade, não precisou muito para chegar lá, e o que eles fazem, repetidamente, não entregam nada para seu público, a não ser mais erros, mais episódios e tramas problemáticos. Além de repetições e repetições na trama.

The Walking Dead conquistou o que poucas séries conseguem, ser um fenômeno nas redes sociais, pessoas param para comentar no Twitter, enquanto assistem o episódio, ao vivo, poucas séries conseguem isso. Méritos para AMC e Robert Kirkman por fazerem e criar um legado para a série, mas infelizmente a sétima temporada, não conseguiu mostrar nada novo deixando esse legado para trás. Com um tesouro na mão, uma série extremamente popular conseguiu mais um grande marco, perder 7 milhões de espectadores nos EUA, agora com uma de suas piores audiências desde a terceira temporada.

É triste ver uma série que abriu portas na cultura pop, ajudou a popularizar um gênero para a parte mais mainstream da TV, adaptar um quadrinho muito elogiado pela crítica, vencedor de prêmio Eisner Award, que está sendo publicado desde 2003, que tem tudo na mão para ser a melhor série exibida atualmente, deixando tudo isso apenas na vontade dos fãs, cometendo os mesmos erros de sempre.

Depois do polêmico final da sexta temporada, muito criticado, a série precisava se renovar, voltar com tudo, aproveitar o que criou para a sétima temporada e chamar atenção para a série novamente. Conseguiram, ou pelo menos tentaram, ao menos o primeiro episódio, que foi o melhor da série inteira. The Walking Dead sofre de um grande problema, antigo, episódios de abertura e encerramento de temporada muito bom, e o desenrolar da trama, não menos importante, se analisarmos bem, é o mais importante, são arrastados, lentos, perdas de tempo, dessincronizados e podemos listar mais um monte de sinônimos (direto ou indireto) que se encaixam perfeitamente no que The Walking Dead entrega para seu público durante a metade da temporada.

Desde o final da sexta temporada, a série ganhou diversas opções de roteiro, mas com o mesmo erro, deixaram de aproveitar isso muito bem, com episódios tão lentos e até alguns cansativos, não vimos o quão a história evoluiu, Morgan, Carol e principalmente Maggie passaram por muitas transformações, escondidas em episódios medianos. Beirando a margem do ruim. Novamente vemos Rick passando por um trauma, quebrado psicologicamente, precisando se recompor diante de seu inimigo, premissa bastante utilizada na série, mas o problema nem está só aí, mas sim na forma preguiçosa de conduzir a trama de uma forma que não cometeriam os mesmos erros das temporadas anteriores.

Mesmo com muitos episódios medianos, forçando a história acontecer, no caso o episódio da Tara em OceanSide, ou os episódios que pausam o desenvolvimento da trama, para mostrar algo que já aconteceu, ou seja, mal introduzidos na sequência, a série teve bastante acontecimentos, difícil lembrar algum relativo, algum que ficará marcado para o legado da série, claro, exceto os dois episódios da ponta (começo e final) que são sempre os melhores e talvez o episódios em que vemos Carl e Negan interagindo, mas só.

Mesmo com um episódio de encerramento da temporada acima da média, com bons momentos não foi o suficiente para salvar a temporada inteira.

The Walking Dead não precisa mais focar em algo grandioso, a série caminha para isso sozinha, os produtores precisam decidir o que The Walking Dead vai ser, a série precisa de um estilo, todas precisam, se querem continuar relevantes para o público, precisam mudar, aprender com os erros. Precisam abandonar o formato que a série caminha hoje, para transformar algo que seja bem construído do episódio 1 ao 16, e não chocar no primeiro, se arrastar até a mid season, voltar prometendo mudanças, e continuar na mesma. The Walking Dead precisa mudar, The Walking Dead precisa aprender mais com os quadrinhos, e isso é urgente.

Por Gabriel Stuchi

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