Um herói de pai para filho

Comparar gerações é algo muito difícil, a complexidade de variáveis, partindo desde a longevidade entre elas até o mundo em que cada um viveu, são sem dúvida, um dos fatores mais relevantes para diferenciá-las, e mesmo que cada um de nós tenha vivido experiências diferentes em culturas e tempos diferentes nossos nuances não foram mais fortes que alguns ícones. As gerações X, Y e Z podem ser totalmente discriminantes em seu modo de agir, contudo os nascidos no pós-guerra, e os nativos digitais, ainda compartilham alguns de seus heróis, pois sua essência ainda é a mesma.

Recentemente, assistindo Steven Universo, eu me peguei pensando no quanto a ideia por traz daquele desenho era boa, e o porque não ser aproveitada de uma maneira mais extensa, com mais episódios ou em um reboot mais “adulto”, e foi ai que eu percebi, a ideia do desenho não era ser  o assunto de um Happy Hour, era apenas em formar um novo herói, e não um herói de peito estufado que voa por galaxias ou um soldado que carrega o simbolo de seu pais difundindo a liberdade, ele foi apenas criado para ser um herói dos dias de hoje, onde a tecnologia esta em todos os lugares, assuntos considerados tabus não são mais monstros de sete cabeças, e um lugar onde a preocupação das pessoas é diferente. Steven não é um gênio, não tem super força, e não é o nerd deslocado que apanha de valentões, ele com certeza não é o esteriótipo do herói clássico, e não só ele, toda a nova geração Cartoon Network, Disney, Marvel ou seja lá qual for, já bebe dessa fonte, logicamente heróis já consagrados não vão ter um retrocesso de toda a sua história, mas eles vão ser adaptados; vivemos em uma época onde o Peter Parker não é mais o entregador de pizza com o rosto inocente, nós crescemos, e ele também, o amigão da vizinhança passou de fotógrafo para cientista e personagens com potencial de sagas complexas e de um êxtase universal têm como foco principal o público infantil, que também crescerá e terá seu próprio perfil de herói.

Primeiro lendas e mitos, depois mídia impressa, caminhando um pouco mais rápido à televisão e alcançando seu espaço nas telonas, essa frase pode resumir a saga de muitas histórias, principalmente as da cultura geekie que, além de ser fiel e permutar por todas essas mídias, ainda é a responsável por desmistificar o “isso é coisa de criança” e mostrar que uma capa e uma máscara carregam muito poder consigo, no mundo imaginário e no mundo real; sair das HQ’s e chegar ao cinema fez com que muitas pessoas conhecessem, e  que muitos nerd’s delirassem em histórias sensacionais, plantando pequenas sementes forjadas por todas as gerações, o que, sinceramente, é o simples reflexo do novo mundo, o mundo globalizado e intercalado, diminuindo o espaço e misturando o melhor de cada época, um mundo singular em que todos tivemos sorte de desfrutar pelo menos uma centelha do que é o abraço apertado que mistura esse aglomerado de ideias. Ícones sempre vão existir, heróis sempre vão ser heróis, a diferença entre o Batman dos anos 60 e o de hoje está simplesmente no modo de como suas histórias são contadas, e eu espero que isso continue, e que daqui a algum tempo eu veja heróis como o Steven sendo tão aclamados quanto os nossos queridos clássicos.

Por J.Kepler

#Steven